Diante de juros elevados, tributação alta e crédito mais restrito, um número crescente de empresas brasileiras tem trocado a compra pelo aluguel de equipamentos e maquinários usados em suas operações. A prática, conhecida internacionalmente como rental economy (ou renting), já é consolidada em mercados desenvolvidos e agora avança no Brasil como forma de reduzir a imobilização de capital em ativos que perdem valor tecnológico rapidamente.
Um mercado que já vale bilhões
O setor de locações industriais e corporativas cresce, em média, 10% ao ano no país há cinco anos consecutivos, e a expectativa é de que as transações somem R$ 52,9 bilhões em 2026, o equivalente a 0,4% do PIB nacional.
Os dados são do Rental Market Report, estudo da KPMG encomendado pela Analoc (Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes dos Locadores de Equipamentos, Máquinas e Ferramentas).
A Região Sudeste concentra 60% desse mercado, seguida pelo Nordeste (15%), Sul (13%), Centro-Oeste (7%) e Norte (5%).
O que torna o modelo atraente: a engenharia fiscal
Parte do apelo da locação está na forma como ela impacta a contabilidade das empresas. Ao transformar um investimento de capital (CapEx) em despesa operacional (OpEx), as mensalidades passam a ser lançadas como custo, reduzindo a base de cálculo de tributos para empresas no regime de Lucro Real. Em cenários específicos, o abatimento fiscal pode chegar a até 43,25% do valor da assinatura mensal, somando deduções de IR, CSLL e PIS/Cofins.
Outra vantagem: diferentemente de um financiamento tradicional, os contratos de assinatura não entram no Sistema de Informações de Crédito (SCR) do Banco Central, preservando o limite de crédito da empresa junto às instituições financeiras.
Cada vez mais gestores entendem que o valor real está no uso do equipamento, e não na propriedade de um ativo tecnológico que rapidamente se torna obsoleto.
O que esperar daqui para frente
Com o crédito mais caro e a carga tributária pressionando as margens, a locação de equipamentos tende a ganhar espaço na agenda de gestores financeiros, não apenas como alternativa operacional, mas como decisão estratégica de balanço.